quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

2006 / 2017

ESTAMOS TODOS NO INFERNO ???? nada mudou.

A entrevista pelo traficante Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC e publicada na edição impressa do Jornal O Globo do dia 23 de maio de 2006 é uma obra de ficção. 
O autor é Arnaldo Jabor, que publicou o artigo naquele formato em sua coluna na publicação carioca com o título "Estamos todos no inferno".
Apesar de quase 11 anos depois, a pertinência e atualidade do assunto ainda é tanta que voltou a circular nas redes sociais Vale a pena recordar.
Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema.

O GLOBO: Você é do PCC?
– Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… 
Que fizeram? Nada. 
O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…

O GLOBO: – Mas… a solução seria…
– Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como?
Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições.
Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.

O GLOBO: – Você não têm medo de morrer?
– Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

O GLOBO: – O que mudou nas periferias?
– Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… 
Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.

O GLOBO: – Mas o que devemos fazer?
– Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete anti-tanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?

O GLOBO: – Mas… não haveria solução?
– Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco…na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!” Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno."

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

I am the Warlus BEATLES

Resenha de Fernando Barreto:

I am the Walrus 1967

Com “I am the walrus” estamos frente a um dos textos mais complexos e barrocos não só dos Beatles mais, de toda a música pop. Nela estão impressas todas as novas experiências e conhecimentos que, especialmente John, ia adquirindo. A marijuana e o LSD, junto com a nova amizade com Bob Dylan, tinham provocado uma mudança de consciência e, por conseguinte, as letras dos Beatles se tornaram mais complexas. Surrealismo e superposição de palavras associadas de forma muito livre e irracional, às vezes somente pelo seu valor fonético, como o próprio autor reconheceu:
“Em algumas das melhores composições, das mais delirantes, como “I am the walrus”, tem estrofes, como a primeira, que escrevi sem ter idéia alguma do que queria dizer. Tinha estas duas linhas na máquina de escrever, “I am here as you are here as we are all together”. Duas semanas depois escrevi mais duas linhas e quando vi as quatro juntas comecei a cantar como se fosse uma sirene de polícia e troquei “here” por “he” e “me”: ”I am he as you are he as you are me as we are all together”.
O ritmo de uma sirene e os demais elementos da letra sugere claramente alusões aos “inimigos da desordem pública”: “pigs from a gun”.
Porcos com asas e o titulo da canção nos levam à sua principal fonte de inspiração: Lewis Carrol.
No quarto capítulo de “Alice no País dos Espelhos” a personagem “Tweedledee” recita o poema “A Morsa e o Carpinteiro” no qual a morsa fala às ostras sobre como os “porcos astutamente voam” com o propósito de desviar a sua atenção para depois, poder comê-las ao mesmo tempo em que chora lágrimas de crocodilo, (um dos versos de “I am the Warlus” é “I´m crying”).
Diz o texto de Carrol:
- Choro por vocês! - gemia a morsa.
- quanta pena me causais! - seguia lamentando-se a morsa e entre lágrimas e soluços escolhia as ostras de maior tamanho.
“A Morsa e o Carpinteiro” como descrevi na minha interpretação de “Come Together”, é um poema muito conhecido da literatura inglesa e representa o apetite voraz dos políticos ingleses. Estas figuras tão conhecidas de nós brasileiros que derramam suas lágrimas pelos menos favorecidos enquanto dividem o fruto dos seus roubos. John parece identificar-se com a morsa: um rico e famoso ídolo pop, chorando pelos males da humanidade em sua mansão de milhões de libras.
Outra figura tomada de Carrol e sua Alice é sem dúvida “Humpty Dumpty”, o “homem ovo”, do capítulo seis do mesmo livro. Personagem também muito popular do universo infantil inglês, e que tem conotações políticas em seu uso adulto: um ovo que possui características humanas e que fica encima do muro, morrendo de medo de cair para um lado ou outro e em consequência se quebrar. Mais uma vez John se identifica com outro personagem, “I am the eggman”-diz, obrigado a ficar, naquele tempo, sem poder tomar partido de um lado ou de outro por causa da responsabilidade que a visibilidade da sua fama lhe dava.
Tudo isso não tem nada de estranho: John falou repetidas vezes que sua obra favorita, e que mais o havia influenciado era “Alice no País das Maravilhas”. Este livro é a segunda obra mais célebre na Inglaterra, depois da Bíblia. O livro de Carrol começa assim:
“Sob um ensolarado céu, uma barca desliza silenciosamente num sonho numa tarde de verão”.
E numa outra conhecidíssima letra de Lennon temos:
“Picture yourself in a boat on a river”.
Mas as complicações não acabam aqui. Outros elementos aparecem de forma mais obscura e que são indecifráveis para os nossos lusitanos ouvidos.
No final da canção ouvimos um dialogo entre dois homens e as suas vozes se perdem, às vezes, como numa emissora de radio mal sintonizada.
Os que falam se chamam Gloucester e Edgar: trata-se da sexta cena do quarto ato da peça “Rei Lear” de Sakespeare:
-Bom cavalheiro, quem sois?
-um homem muito pobre a quem os tropeços da fortuna têm amansado; que por parte das suas próprias aflições, conhecidas e experimentadas, aprendeu a compadecer-se com as alheias.
Neste ponto o dialogo é encoberto pela música para retornar pouco depois com mais um personagem, Oswald.
OSWALD: “Se quereis prosperar, dai-me sepultura e entrega a Edmund, conde de Gloucester, a carta que acharas sobre mim. Poderás encontrá-lo no acampamento bretão. Oh intempestiva morte! Oh morte!” (Morre).
EDGAR: “Conheço-te bem malvado oficioso, tão aferrado aos vícios da tua ama quanto à perversidade o pudera desejar”.
GLOUCESTER: “Como? Está morto?”
EDGAR: “Sentai-vos, pai, repousai”. 
Nesta parte a música acaba abruptamente e a canção termina.
È difícil destilar as intenções de John em relação a “I am the Walrus”. Poderia tratar-se duma homenagem tripla a Lewis Carrol, Edgar Allan Poe, (citado na letra) e Edward Lear, três mitos da literatura e que contavam com grande admiração por parte de Lennon. “Paperback Writer” foi dedicada a E. Lear e os três aparecem na capa do álbum “Sgt. Pepper”. Também pode ser que os fragmentos de “Rei Lear” remitam a Shakespeare já que essa obra retrata como poucas a desorganização social, na qual até a verdade provem da boca dos loucos.
Com “I am the Warlus” as letras dos Beatles alcançam o cume duma sofisticação difícil de superar. Penso que a temática desta hermética letra trata de como todos nos, modernos cidadãos do pós-modernismo, somos hipócritas. Choramos e lamentamos a precária situação dos desfavorecidos pela fortuna, vitimas de sistemas e governos tirânicos, enquanto dormimos fofinhos nas nossas camas confortáveis, no doce balanço dos nossos aparelhos de ar-condicionado. Nós, lamurientas morsas e medrosos homens-ovo; criticamos os políticos ladrões enquanto compramos drogas e produtos piratas, financiando o crime organizado. Criticamos a falta de educação do “povo”, ao mesmo tempo em que fazemos “gatos” de luz, jogamos lixo pelas janelas e estacionamos nossos carros encima da calçada. Reclamamos da injusta divisão de riquezas e acumulamos trecos e geringonças inúteis que descartamos assim que nos enchemos delas. Entregamos os problemas sociais nas mãos da polícia ao invés de arregaçar as mangas e fazer cada um a sua parte. Queixamo-nos da violência doméstica e fazemos da cachaça um patrimônio nacional. 
Com esta delirante superposição de imagens absurdas, o autor descreve o total caos em que tão orgulhosamente vivemos. Sempre admirei a honestidade de John Lennon ao colocar o dedo nas feridas que mais tentamos esconder, colocando-se, ele mesmo, como exemplo. 
 Com estas “explicações”, segue aqui a minha livre “tradução”.
No final transcrevi em inglês o trecho de Shakespeare para poder ser identificado em audição no final da canção.
(prefiro o termo “canção” ao de “música” por motivos óbvios, sei que os meus irmãos e irmãs, de espírito livre, entenderão).

I AM THE WALRUS (eu Sou a Morsa)
I am he as you are he and you are me
And we are all together.
See how they run like pigs from a gun 
See how they fly. I´m crying.

Eu sou ele como vocês são ele como vocês são eu
E nós estamos todos juntos.
Vejam-nos correr como porcos disparados por um canhão; vejam como voam. Estou chorando.

Sitting on a cornflake, waiting for the van to come.
Sentado num floco de milho, esperando a ambulância do hospício.
Corporation T-shirt, stupid bloody Tuesday
Man you´ve been a naughty, 
Boy you let your face grow long.

Camiseta da corporação, maldita terça-feira idiota,
Cara você foi um depravado
Garoto você se deixou entristecer.

I am the egg man oh, they are the egg men oh,
I am the walrus, GOO GOO G´JOOB!

Eu sou o homem-ovo, eles são os homens-ovo,
Eu sou a morsa, que cagada!

Mr. City policeman sitting preety little
Polliceman in a row.
See how they fly like lucy in the sky,
See how they run. I´m crying.

Senhor policia municipal, precioso agentezinho
Colocado numa fila.
Vejam como voam como “Lucy in the Sky”
Vejam como correm. Estou chorando.

Yellow matter custard, dripping from a dead dog´s eye.
Crabalocker fishwife, pornographic priestess,
Boy you´ve been a naughty, girl you let your knickers down.

Uma substancia amarela e cremosa goteja
Do olho dum cachorro morto.
Pescadora de molinete, sacerdotisa pornográfica,
Cara, você foi uma depravada
Você se deixou abaixar as calcinhas.

I am the egg man oh, they are the egg men oh,
I am the walrus, GOO GOO G´JOOB!

Eu sou o homem-ovo, eles são os homens-ovo,
Eu sou a morsa, que cagada!

Sitting in an English garden waiting for the sun.
If the sun don´t come you get a tan
From standing in the English rain.

Sentado em um jardim inglês esperando pelo sol,
Se o sol não vem você pega um bronzeado,
De pé debaixo da chuva inglesa.

I am the egg man oh, they are the egg men oh,
I am the walrus, GOO GOO G´JOOB!

Eu sou o homem-ovo, eles são os homens-ovo,
Eu sou a morsa, que cagada!

Expert texpert chocking smokers
Don´t you think the joker laughs at you?
Ho ho ho, hee hee hee, ha ha ha!

Especialista, têxtil-especialista, fumantes asfixiando-se
Não acham que o piadista ri de vocês?
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!

See how they smile,like pigs in a sty,
See how thei snied. I´m crying.

Vejam-nos rir, como porcos de um cortiço,
Vejam como riem maliciosos, estou chorando.

Semolina pilchards, climbing up the Eiffel Tower.
Elementary penguin singing Hare Krishna
Man you should have seen them
Kicking Edgar Allan Poe.

Sardinhas de angu, escalando a Torre Eiffel.
Pingüim elementar cantando Hare Krishna,
Cara, você precisava vê-los chutando o Edgar Allan Poe.

I am the egg man oh, they are the egg men oh,
I am the walrus, GOO GOO G´JOOB!

Eu sou o homem-ovo, eles são os homens-ovo,
Eu sou a morsa, que cagada!

Trecho de “Rei Lear” de Shakespeare ouvido no final da canção:
GLOUCESTER:
-Now good Sir, what are you?
EDGAR:
-A most poor man, made tame to Fortune´s blows who, by the art of known, and feeling sorrows, Am pregnant to good pity.

(aqui a música abafa o diálogo, que volta logo em seguida):
OSWALD:
-If ever thou wilt thrive, bury my body, and give the letters which thou find´st about me, to Edmund Earl of Gloucester: seek him out upon the English party. O untimely death, death…
(Dies)
EDGAR:
- I know thee well. A serviceable villain, as duteous to the vices of the Mistress, as badness would desire.
GLOUCESTER:
-What, is he dead?
EDGAR:
-Sit you down father: rest you.

Musicalmente a composição é bastante colorida, além da formação clássica da banda de, duas guitarras, baixo e bateria, temos um piano processado por algum truque de estúdio da época, mais um arranjo bem moderno de cordas, cortesia de George Martin (arranjador,produtor e cérebro teórico-musical por trás dos Beatles).
A música também conta com efeitos sonoros parecidos com os encontrados antes, em “Tomorrow Never Knows” do álbum “Revolver”. Tudo isso bem de acordo com os psicodélicos tempos que estavam começando e prenunciando o Rock Progressivo que viria mais tarde, no inicio dos anos setenta. Uma obra definitivamente futurística para a época (o álbum foi lançado em Dezembro de 1967), e que continua adiantada ainda em nosso século XXI, dado o imenso volume de lixo musical ao qual estamos submetidos nos dias de hoje.
Daqui em diante os Beatles abandonariam o surrealismo 
lírico e musical voltando a suas raízes, ou seja, o Rock and 
Roll básico. 
Depois da complexidade de “Sgt. Pepper” e “Magical Mystery Tour” (de onde walrus saiu), os Beatles se dedicaram a um som mais agressivo, definido e pesado, com letras mais simples e diretas (mesmo banais), objetivo que alcançaram já no ano seguinte com o “Álbum Branco” e o compacto “Lady Madonna”.

Fernando Barreto

vai ae um cover da minha banda de 1999 pois o youTube tem vetado o som por direitos autorais

sábado, 31 de dezembro de 2016

2017


00:59 - 00:00 - 00:01 - pronto 2017!!! 
Na verdade essa Linha tênue não existe! o tempo é de todo infinito! e não há Ciência neste mundo que saiba de onde viemos e pra onde vamos! Isso não nos pertence! 

Hoje sabemos que há algo além do nosso corpo Físico! Mas enquanto aqui, somos errantes numa caminhada solitária em busca de nós mesmos!

Antepassados se foram mas ainda estamos aqui. 
Viúvo(a) é quem morre porque no dia seguinte temos que levantar a cabeça e trabalhar! Os que partiram estão em outra senda, outra dimensão as vêzes melhor e às vêzes pior do que este mísero plano Terra (Planeta escola! o plano de resgate: provas e expiações)! 

Uns chegaram, outros se foram de maneira assombrosa efêmera e rápida - nada neste mundo é eterno! 
Poucos sêres Humanos nesta era viveram mais de 100 anos! 
Uma vida é algo efêmero se não construirmos nada e pode ser grandiosa se fizermos algo por nós e pelo nosso próximo! tenho dito! 

FELIZ 2017 mesmo que você tenha que fazer mudanças Radicais em sua vida!

E antes que eu me esqueça ........


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Natal


NATAL migos e migas ........ Natal é lembrar que o ser humano mais perfeito do plano terra que nasceu e habitou entre nós, deixou um código de Amor para que pudéssemos começar a viver o Paraíso daquí mesmo ..... Amando e "suportando" uns aos outros ......... Sim ...... isso mesmo!!! O nosso Elo de Ligação com Deus é o nosso próximo. E se estivermos bem com esse irmão mais próximo começaremos a compratilhar as beneces de uma vida melhor, mais justa, mais saudável ....... Parentes, Familiares, amigos, vizinhos, e até mesmo inimigos, porque com eles aprendemos a dar o perdão, entender o que pedem - porque ouvir é uma grande caridade - e nem sempre ouvimos aqueles menos favorecidos que nós ...... Então meus prezados: que em mais um Natal em nossas vidas possamos agradecer ao Criador pelas bênçãos de estarmos com saúde, vivendo dentro de um LAR de verdade quando muitos não tem sequer onde recostar a cabeça!!! não tem o que comer!!! são doentes ou infelizes ..... Que possamos IMAGINAR - PLASMAR - um ano novo vindouro bem melhor, com maiores PERSPECTIVAS em nossas vidas e que possamos sempre em todos os Lances de nossa Jornada dar o melhor de nós porque vida é dádiva, vida é doar e o grande doador (DEUS) tem nos mostrado isso ....... O meu abraço Fraterno à cada um de vc´s, na certeza de um Natal maravilhoso, abençoado e um ano novo muito muito muito mais Feliz pela frente ....... PAZ e LUZ: Tulio e Lia.

sábado, 17 de dezembro de 2016

2016 Natal e Ano Novo (2017)


Navegando hoje pelo youTube ouvindo e selecionando algumas Canções de Natal me bate uma profunda tristeza! ouvir Musicas LINDAS tais como as mensagens de Natal do Greg Lake (Falecido recentemente), Musicas tema do Jethro Tull, Beatles, John Lennon etc ....

No hemisfério Norte é inverno, neve, pinheiros iluminados, vinho, Lareira, boa gente, boa comida. É um outro universo!

Alguém vai dizer que eu sou um cão com complexo de vira-Latas faminto invejoso pelo Natal dos Europeus, Canadenses, Americanos etc .... 
Não é isso! Aqui um calor da porra! talvêz no Sul em Gramado ou São Joaquim 2 graus talvêz mas não é isso que quero dizer, vou chegar Lá:

Uma boa parte do mundo progredindo (ok - algumas guerras, genocidio na Siria) mas uma boa parte do mundo dito moderno progredindo e o Brazil nesta merda vamos virar mais um ano com os mesmos problemas de décadas com esses desgraçados no poder, corrupção, deboche com a cara do povo, mentiras, inflação, tarifaços, descaso com a máquina pública; um País sem bons Hospitais, sem boas estradas, sem boas escolas, sem nenhuma estrutura! As pessoas perdidas, mal informadas ou enganadas. 

Hoje, semana beirando o Natal eu nunca ví tamanha indiferença com os valores Cristãos! Sim o Natal é valorizado nos Países do hemisfério norte! aqui aguardamos um Natal mais restrito, apertado, gente sem dinheiro, conta de Luz alta, sem emprego, sem comida na mesa, sem saúde! e ver esses crápulas rindo se fartando, se escapando da Operção Lava Jato dentre outras! Politicos Brasileiros e suas Leis ridiculas dando indulto de Natal à marginais, presidiários! E os proprios juntamente com Juízes e altos Funcionários Públicos já se preparando para o recesso parlamentar. Gente que tira 90 dias de Férias ganhando até 100 vezes mais o salário Mínimo! Somos uma Nação doente! onde já se viu isso? salário mínimo? isso é um maldoso indexador pra te matar te puxar pra baixo, nivelar tudo por baixo, baixo custo pro INSS ae você  se aposenta com 75 anos pourra???ok eu vou emplacar um Natal Feliz, mas e o servidor público aposentado sem salário no meio desse jogo de empurra! Dinheiro que sumiu dos cofres Públicos! Somos uma Nação doente! REPITO! é duro é triste e hoje por umas horas ouvindo Musicas de Natal de Bandas de Rock que eu gosto pude viajar na neve me transportar para uma outra dimensão muito longe deste famigerado Brasil um País que por carma nascí aqui. ok! Minha mensagem não será pessimista jamais. Mas se nada for feito, se não escorraçarmos essa corja imunda não teremos Boas Festas e muito menos a promessa de um Feliz ano novo a cada ano novo! o Ano novo tá bom pra eles Lá do Congresso!

O momento é sério é de conjecturar e pedir à Deus por esta Nação. Verificar o que de mínimo podemos fazer à nossa volta para que possamos melhorar algo, senão pelo menos um País descente pra se viver com pessoas de boa índole comandando esta Nação. 
A esperança é a última que morre! 
PAZ e LUZ à todos! Tulio Fuzato www.tuliofuzato.com.br


































Browsing today for youTube listening and selecting some Christmas Songs hits me a deep sadness! Listen to BEAUTIFUL MUSIC such as Greg Lake's Christmas Messages (Deceased recently), Jethro Tull's song songs, Beatles, John Lennon etc .... In the northern hemisphere is winter, snow, lighted pines, wine, fireplace, good people, good food. It's another universe! Someone will say that I am a dog with a mutt-hungry complex envious for the Christmas of the Europeans, Canadians, Americans etc .... Is not it! Here a fucking heat! Maybe in the south of Brazil in Gramado or São Joaquim 2 degrees maybe but that's not what I mean, I'll get there: A good part of the world progressing (okay - some wars, genocide in Syria) but a good part of the modern world progressing and Brazil in this shit let's turn another year with the same problems of decades with these bastards in power, corruption, debauchery With the face of the people, lies, inflation, tariffs, disregard for the public machine; A Country with no good Hospitals, no good roads, no good schools, no structure! People lost, misinformed or deceived. Today, the week around Christmas I have never seen such indifference to Christian values! Yes, Christmas is valued in the countries of the northern hemisphere! Here we wait for a more restricted Christmas, tight, people without money, account of High light, no job, no food at the table, no health! And see these little laughs getting fed up, escaping from Lava Jet Operation among others! Brazilian politicians and their ridiculous laws giving Christmas pardon to the fringes, prisoners! And their own together with judges and high civil servants are already preparing for the parliamentary recess. People who take 90 days of vacations earning up to 100 times the minimum wage! We are a sick Nation! Who ever heard of that? minimum wage? This is a nasty indexer to kill you, pull it down, level it all down, low cost to INSS, and you retire at 75 years old. I'm going to send a Happy Christmas, but the retired public servant with no salary In the middle of this pushing game! Money that disappeared from the Public coffers! We are a sick Nation! I REPEAT! It's hard is sad and today for a few hours listening to Christmas Music from Rock Bands that I like I could travel in the snow transport me to another dimension far from this infamous Brazil a Country that for karma I was born here. OK! My message will never be pessimistic. But if nothing is done, if we do not chase that filthy bun we will not have Happy Holidays, much less the promise of a Happy New Year every new year! The New Year is good for them There's Congress! The moment is serious is to conjecture and to ask God for this Nation. Check what minimum we can do around us so we can improve something, if not at least a decent country to live with people of good nature commanding this Nation. Hope is the last to die! PEACE and LIGHT to all! Tulio Fuzato www.tuliofuzato.com.br

Nursery Cryme GENESIS


Resenha de: Rick Paggliaro Thomaz.

Uma das obras mais cultuadas e celebradas dos anos 70 e da história do Rock Progressivo é o terceiro álbum do Genesis, lançado em 1971, Nursery Cryme. 

A história é a seguinte: o grupo que, na época contava com a liderança de Peter Gabriel, havia conseguido se livrar das amarras de produtores que queriam direcionar o som deles, como aconteceu com o infeliz primeiro álbum. Eles conseguiram obter relativo sucesso com seu segundo álbum, voltado ao som progressivo, Trespass, porém, o baterista John Mayhew era considerado pouco técnico para os projetos ambiciosos da banda; entra em cena um jovem Phil Collins. Em outra reviravolta, o guitarrista Anthony Phillips havia deixado o grupo para estudar música clássica, conseguindo lançar em alguns anos, álbuns de sucesso como The Geese and the Ghost; entra em cena o guitarrista Steve Hackett, após um breve período da banda com Mick Barnard substituindo Phillips. Estava formada a equipe pioneira da banda.Sendo assim, o grupo precisava de um sucesso estrondoso, algo que chamasse a atenção. A resposta veio na imagem bizarra de uma enfermeira, em um campo de críquete, com um arremessador ensanguentado nas mãos em posição de rebatedora e cabeças espalhadas pelo campo. A bizarrice era tamanha que todos queriam ver do que se tratava. Talvez você possa pensar que o grupo havia perdido a cabeça após tantos problemas, mas a verdade é que o Genesis havia elaborado uma grande obra-prima de sua discografia, músicas desafiadoras com um trabalho instrumental impecável e lírica riquíssima e elaborada. Este é o Nursery Cryme.O disco abre com um épico baseado em uma história escrita por Peter Gabriel, "The Musical Box". Sendo um enorme fã da obra poética de William Blake e dos contos de Lewis Carroll, Gabriel conta a história surreal de um casal de garotos, Cynthia Jane De Blaise-William 9 anos e Henry Hamilton-Smythe 8 anos, que moravam em uma casa de campo. Cynthia mata Henry com um martelo de críquete, decepando a cabeça do menino. Anos depois, ela encontra a caixinha de música dele e, ao abrí-la, vê o espírito de Henry dentro da caixa. Conforme Henry vai envelhecendo rápido, para compensar os anos que esteve longe de Cynthia, ele a manipula a ter relações sexuais com ela, ao mesmo tempo que o espírito experimenta uma vida inteira de prazeres sexuais em questão de minutos. Quando os dois estão prestes a entrelaçarem-se, chega a enfermeira que atira a caixinha de música em Henry, destruindo ambos. A ilustração da capa do disco é justamente um desenho de Cynthia. A música passa por mudanças de andamento muito interessantes, começa suave, gradativamente ganha força, retoma a suavidade e termina em um furioso ato final. Esta primeira faixa guarda reminiscências musicais de uma composição do grupo chamada "Manipulation", que teve sua gênese melódica ainda no período anterior da banda, com Anthony Phillips. Nela, Gabriel toca flauta e oboé nas partes calmas.Outro destaque de grande importância é a terceira faixa, "The Return of the Giant Hogweed". É sobre uma erva que foi trazida da Rússia para a Inglaterra por um explorador e levada aos Jardins Reais de Kew. A erva se chama Heracleum mantegazzianum, e ela causa a ira das criaturas herbicidas que acabam querendo vingança. O trabalho instrumental aqui é único, com variações melódicas hora andantes e hora agressivas e rápidas, configurando todo um clima épico para a história.E não podemos esquecer de um outro grande destaque do álbum, "The Fountain of Salmacis", presença em muitas das apresentações da época. É uma das composições mais herméticas e complexas do Genesis. A letra, também singular, fala sobre a ninfa do título que se envolve em um caso amoroso com o deus Hermafrodito, filho dos deuses Hermes e Afrodite. De acordo com a lenda, Hermafrodito amaldiçoou as águas do Monte Ida, de forma que, quem se banhasse nelas, viraria um ser hermafrodita, ou seja, um ser de ambos os sexos. Uma das composições mais desafiadoras e interessantes da era Peter Gabriel que fecha o terceiro álbum do grupo e os leva ao estrelato.Passado o material mais importante, há também outras coisas bastante interessantes e que fazem deste disco um grande clássico de seu gênero. "For Absent Friends" é uma curta e doce canção sobre duas pessoas viúvas indo à igreja rezar por seus falecidos amores; é a primeira canção do Genesis onde Phil Collins assume os vocais sozinho; com a ausência de bateria na canção, Collins tem total liberdade para sair de seu kit e cantar. "Seven Stones", que foi influenciada por uma composição do grupo inglês King Crimson. Tony Banks até acabou comprando um mellotron específico do Crimson para uso em várias outras músicas do Genesis. Conta sobre um velho muito esperto e aproveitador que se sobressai acreditando na sorte e na inocência de suas vítimas."Harold the Barrel" é a primeira vez que o Genesis insere timidamente humor em suas composições. Conta a investigação para encontrar um dono de restaurante que desapareceu e acabou cometendo suicídio se jogando da janela. Os arranjos são animados apesar da lírica pesada, quem vê Harold pela janela fica pedindo a ele para descer, vem até gente dizendo para ele que a BBC estava chegando e tudo acaba abruptamente quando Harold abandona o recinto pela janela e o piano de Banks vai dando as últimas e melancólicas notas. Finalmente, "Harlequin" tenta pintar um quadro de uma figura surrealista cheia de cores mas com componentes cinzentos que indicam algum tipo de distúrbio, algo que não pertence àquele quadro. A música não agrada tanto Mike Rutherford que diz ter tentado chegar perto de demonstrar a dinâmica que ele e seu parceiro dos discos anteriores, Anthony Phillips, tinham com as harmonizações no violão, tocando um 12 cordas para alcançar o efeito. De forma geral, Rutherford confessa que Nursery Cryme foi um álbum bem difícil de se compor.E levando em consideração o resultado final, percebe-se o motivo de tal afirmação. É um disco melódico, hermético por várias vezes, cheio de passagens interessantes, os estreantes Steve Hackett e Phil Collins dão tudo de si para fazerem este material brilhar mais ainda junto aos integrantes antigos da banda, a dinâmica do grupo é bastante natural e reflete um momento de pura inspiração. Em conclusão, um álbum que qualquer amante de música progressiva precisa escutar. Ele faz parte de um contexto em uma época de grande efervescência do gênero progressivo, onde as bandas tentavam sempre se sobressair em suas experimentações. Após dois discos com vários problemas internos, sendo que apenas um deles realmente se sobressaiu, o Genesis finalmente estabiliza sua formação pioneira e realiza uma grande obra-prima.
Nursery Cryme (1971)
(Genesis)

Tracklist:
01. The Musical Box
02. For Absent Friends
03. The Return of the Giant Hogweed
04. Seven Stones
05. Harold the Barrel
06. Harlequin
07. The Fountain of Salmacis

Selo: Charisma

Discografia anterior:
- Trespass (1970)
- From Genesis to Revelation (1969)
CAPA

Com John Mayehw e Anthony Phillips fora da banda, o GENESIS colocou um anúncio na influente Melody Maker para recrutar os músicos faltantes. Postar nos classificados da publicação era comum na cena inglesa.Quem também publicara um foi o guitarrista STEVE HACKETT, recém-saído da banda Quiet World. Com influências clássicas, operísticas e roqueiras, o músico procurava um grupo que fosse além das “atuais formas estagnadas de música”. Quase a mesma coisa que dizia o anúncio genesiano. Gabriel contatou-o e Hackett foi aceito. Sem muita experiência de palco, Steve incorporou persona bastante incomum para um guitarrista de rock. Tocava sentado. Contraponto interessante para a postura de Gabriel, cada vez mais teatral e extravagante, com a adição de máscaras e fantasias. Durante anos, um dos diferencias do GENESIS foi o elaborado repertório cênico do vocalista; antes que isso começasse a gerar fricções internas, por conta dos outros músicos acharem que a atenção do público recaia mais na teatralidade do que na música.Dentre os diversos bateristas que responderam ao chamado da Melody Maker, estava PHIL COLLINS. Ator e músico, Collins intimidou-se um pouco com a opulência da residência dos Gabriel. A casa tinha até piscina! Impressionante para um garoto oriundo da apertada classe média-baixa londrina. Sem conhecer direito o trabalho do GENESIS, Collins memorizou os trechos das canções enquanto nadava e ouvia os demais candidatos. Ao fim de sua audição foi aceito; uma das carreiras mais bem sucedidas da história da música pop dava passo fundamental.Com a inclusão dos novatos, o GENESIS entrava no período que alguns fãs e críticos denominam de formação clássica: Peter Gabriel (vocais, flauta), Tony Banks (teclados), Mike Rutherford (baixo), Steve Hackett (guitarra) e Phil Collins (percussão). Retiraram-se novamente para uma casa no campo e começaram a trabalhar no material pro terceiro álbum.Lançado em novembro de 1971, Nursery Cryme é trocadilho com nursery rhyme, termo que designa canções infantis tradicionais. Ainda que padeça de produção por vezes pantanosa, o álbum é um passo adiante em relação a Trespass (resenhado aqui no whiplash.net, veja link abaixo da matéria). Deixando os tons pastorais e folk na retaguarda, Nursery Cryme soa mais agressivo, dramático e operístico.Gabriel lançou mão do artifício de contar histórias cantadas a partir de múltiplos pontos de vista, sempre com tons sombrios, embora algumas melodias pareçam bem-humoradas. É o caso de Harold The Barrel – com sua influência marcadamente BEATLES – que brejeiramente e com o típico humor negro britânico versa sobre um dono de restaurante acusado de cortar os dedos dos pés e servi-los. Acuado pela multidão, Harold encontra-se prestes a pular da janela dum edifício, enquanto sua mãe se preocupa por sua camisa estar suja e haver um repórter da BBC lá embaixo. E como termina? No fim ele pula. Nursery Cryme definitivamente não é para crianças... Mas, essa é uma canção menor no repertório genesiano; o álbum contém pelo menos 2 clássicos da banda e do rock progressivo em geral.The Musical Box épica e operisticamente abre Nursery Cryme com seus 10 minutos recheados de variações rítmico-tonais. No encarte do álbum somos introduzidos à história da canção (contada por Gabriel nos shows, antes de começar a cantá-la). Enquanto jogavam cróquete, Cynthia Jane De Blaise-William (9 anos) “graciosamente” arranca a cabeça do amiguinho Henry Hamilton-Smythe, (8 anos) com o taco. Os longos sobrenomes e os hífens indicam a classe social dos infantes... 2 semanas após o incidente, Cynthia encontra a caixa de música de Henry. Ao abri-la, a nursery rhyme Old King Cole começa a tocar e Henry materializa-se em frente à garota. Só que o menino começa a envelhecer mal reaparece. Despertada pelo barulho, a babá entra no quarto e arremessa a caixa de música contra o ancião-criança, destruindo-o. Apavorante? E quem disse que Chapeuzinho Vermelho também não o é? Pensem na história... A parte cantada de The Musical Box é a fala de Henry. Preciosismo técnico e diversidade de tempos e atmosferas – que vão do medievalismo flautoso à urgência guitarreira e baterística – fazem da canção uma das definidoras da vertente sinfônica do prog rock. E o que dizer do teclado de Tony Banks, que, ao longo do álbum mimetiza até som de violino? Isso em 1971, com um Mellotron 2, rudimentar para os padrões atuais.Outro momento sublime é The Return of the Giant Hogweed, porrada com mais de 8 minutos de duração. Gabriel lera no jornal sobre uma planta nociva que se alastrava pela Inglaterra e inspirou-se para a letra sobre exploradores vitorianos que trazem da Rússia uma nova espécie vegetal pra Inglaterra e plantam-na nos Kew Gardens. A espécie começa a espalhar-se descontroladamente, ameaçando a espécie humana, vencendo-a num dos finais mais grandiosos do movimento progressivo. Memorável o diálogo da poderosa bateria de Collins com a plangência agressiva da guitarra de Hackett e o teclado de Banks, que se alastra como as plantas. Em seguida, Gabriel com voz manipulada gritando que as hogweeds venceram. “Mighty Hogweed is avenged/human bodies soon will know our anger/kill them with your Hogweed hairs/ Heracleum Mantegazziani/GIANT HOGWEED LIVES!” Segue o clímax chupado de finais de ópera.Nursery Cryme fecha com os quase 8 minutos de The Fountain of Salmacis, faixa frequentemente desdenhada pela crítica e por alguns fãs por ser pretensiosa em demasia. A letra mergulha na mitologia grega, contando a história da náiade Salmacis, que estupra o semideus Hermafrodito. Como castigo, os corpos de ambos se fundem em um só. Steve Hackett e Tony Banks, com seu Mellotron (comprado do pessoal do KING CRIMSON), conferem uma sonoridade delirante à canção, que remete a ondulações aquáticas. Não me importa o que digam, é uma de minhas canções prediletas do GENESIS.
Digna de destaque no quesito curiosidade é a microscópica For Absent Friends, com seus pouco mais de 90 segundos. O estreante Phil Collins assume os vocais dessa doce canção folk, que fotografa 2 viúvas rezando em uma igreja por seus companheiros ausentes e recordando dias em que eram “quatro ao invés de duas”. A semelhança com a voz de Gabriel – acentuada nas harmonias vocais do resto do disco – seria um trunfo pro GENESIS em anos vindouros.
Nursery Cryme não fez sucesso na Inglaterra, onde a posição mais alta nas paradas foi alcançada em 1974, quando, por uma semana o álbum ocupou a posição 39. Na Itália, porém, o álbum chegou ao quarto lugar após o lançamento e impactou sobremaneira o movimento prog do país, que produziu diversos clones. Há, inclusive, uma banda-tributo italiana chamada The Musical Box.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Morre GREG LAKE


As Greg sang at the end of Pictures At An Exhibition, "death is life." His music can now live forever in the hearts of all who loved him. “Carl Palmer”.

08-12-2016 - Greg Lake R.I.P. Hoje se cala (pelo menos na Esfera Física) a Voz mais bonita do Rock Progressivo ! Muito emocionado... (C'est La Vie...).
As duas Musicas que mais AMO: from the begining, Lucky Man, Still you turn me on dentre muitas outras ....... 
Eternamente LEMBRADO!

Céus? hoje eu vou passar o dia DEPRIMIDO - apesar deu ser baterista e adorar Carl Palmer; Greg Lake pra mim foi o grande ícone e compositor da banda ELP. Minhas preces: T.Fuzato.

Resenha de Claudio Fonzi
GREG LAKE nunca recebeu o devido crédito como instrumentista, devido ao fato de ter passado a vida cercado pelos 2 monstruosos talentos de Keith Emerson e Carl Palmer, mas, não somente ele tinha de ser um baixista excepcional para poder acompanhá-los, como tinha um talento absolutamente maravilhoso para cantar e compor. 
A maior parte de suas composições foi no estilo Folk, baseada principalmente em violão, mas poucos se lembram que uma das mais lindas obras Progressivas do ELP foi de autoria dele - lançada logo no primeiro album. Chama-se "Take a Pebble". 
A participação de Keith Emerson, obviamente, foi muito engrandecedora, mas a composição foi de Lake. Abaixo segue uma versão reduzida da obra, mas é perfeita para se ouvir para conhecer, inclusive porque está em performance ao vivo. https://www.youtube.com/watch?v=IaYsgjn82GA
OUTRAS

ainda ontem eu me encontrava tocando esta bela imortal eterna canção do ELP na voz de Greg Lake; e hoje recebo a noticia de sua morte aos 69 anos.
Uma das mais belas vozes do PROG-ROCK internacional, musicas que ficarão para sempre nos hits-FM da vida: from the begining, ces´t La vie, Lucky man, take a Pebble etc ..... https://youtu.be/cF5kuPemMSM

Resenha de Marcio Abbes

Vi a notícia do falecimento do Greg Lake lá no trabalho. 
Fiquei meio chapado com a notícia. 
Fiquei calado e comecei a pensar o porquê da minha tristeza pela morte de alguém que nunca vi na vida. Só vi em alguns shows pela telinha. Por outro lado, ELP faz parte da minha memória afetiva. Ouvi o grupo ao extremo. Cantarolar "Lucky Man" no caminho da escola fazia parte da minha rotina. Greg Lake tinha uma voz extremamente divina. A minha maior lembrança era vê-lo em cima do tapete na fotografia do álbum ao vivo triplo, como se fosse o maestro da linda orquestra. A fotografia que nunca sai das minhas lembranças de ouvinte de rock. A sua voz nas canções do ELP era o toque genial em contraste ou paralelo com o magnífico virtuosismo instrumental do Emerson e do Palmer. Lake realizava o contraponto para colocar a música da banda num patamar de beleza única entre os grupos de rock progressivo da época. Não há como não sentir a morte de Lake. A minha geração está perdendo os seus grandes artistas, mas o que me deixa mais aliviado é o fato de saber o grande legado de gravações deixadas por eles e a força que o rock dos anos 70 entrou na vida das gerações posteriores. Impressionar é uma forma de admirar a música. Emocionar é outra forma de admirá-la. Greg Lake sabia impressionar e emocionar. Estou escutando "Lucky Man". RIP!


Musician Greg Lake, a prog-rock pioneer who co-founded King Crimson and Emerson, Lake and Palmer, has died. He was 69.

Manager Stewart Young said in a statement that Lake died Wednesday after "a long and stubborn battle with cancer."

Born in the southern English seaside town of Poole in 1947, Lake founded King Crimson with guitarist Robert Fripp in the late 1960s. The band pioneered the sprawling, ambitious genre that came to be known as progressive rock.

He went on to form ELP with keyboardist Keith Emerson and drummer Carl Palmer. With Lake as vocalist and guitarist, ELP impressed the crowds at the 1970 Isle of Wight Festival, in a lineup that also featured Jimi Hendrix and The Who.

The band released six platinum-selling albums characterized by songs of epic length, classical influence and ornate imagery, and toured with elaborate light shows and theatrical staging.

One album was a live interpretation of Russian composer Modest Mussorgsky's "Pictures at an Exhibition." It reached the top 10 in both Britain and the United States, a feat that seems astonishing now.

Another, "Tarkus," contains a 20-minute track telling the story of the titular creature, a mythic armadillo-tank.

Emerson, Lake and Palmer's 1973 album "Brain Salad Surgery" included a nearly 30-minute composition called "Karn Evil 9" that featured a Moog synthesizer and the eerie, carnival-like lyric: "Welcome back my friends, to the show that never ends."

They filled stadiums and sold records by the millions, but ELP and other prog-rock bands such as Yes and the Moody Blues suffered a backlash with the arrival of punk in the mid-to-late 1970s. They were ridiculed as the embodiment of pomposity and self-indulgence that rock supposedly eschewed.

ELP broke up in 1979, reunited in 1991, later disbanded again and reunited for a 2010 tour.

Emerson died in March from a self-inflicted gunshot wound at his home in Santa Monica, California.

Palmer, the group's sole survivor, said "Greg's soaring voice and skill as a musician will be remembered by all who knew his music."

"Having lost Keith this year as well, has made this particularly hard for all of us," Palmer said. "As Greg sang at the end of Pictures At An Exhibition, 'death is life.' His music can now live forever in the hearts of all who loved him."

Lake's songs as a solo artist include "I Believe in Father Christmas," an enduring seasonal staple first released in 1975.

PHOTO: 



KEITH EMERSON and Greg Lake rehearsing for High Voltage Festival in London in July 2010.