Mostrando postagens com marcador rock progressivo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rock progressivo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 10 de maio de 2022

PEROLAS DO PROG ITALIANO

Alphataurus - Dietro L' Uragano (1992)

Atualmente ou diria desde sempre muitos materiais esquecidos de algumas bandas, que, por algum motivo, caíram no ostracismo, estão ganhando a luz, sendo lançados. Músicas inacabadas, demos tapes, momentos de descontração dos músicos que foram captados etc, são lançados com aquela promessa de algo inesquecível, com aquele discurso de pérola esquecida.

Não se sabem os motivos pelas quais essas músicas são lançadas: caça-níquel? Talvez! O dinheiro ganhando relevância na indústria da música em detrimento da música. Para amenizar a “dor” dos fãs, carentes, viúvos de materiais inéditos de suas bandas preferidas? Bem possível! Alguns álbuns são lançados com aquele título de “edição de colecionador”, pois sabem que, avidamente consumirão esses materiais.

Agora será que a qualidade sonora é ou pelo menos deve ser colocada como possibilidade, haja vista que sobras de estúdio, ensaios e momentos de descontração deve se pontuar com momentos de criação, de criatividade? Quem sabe!

O fato é que não custa conferir tais materiais e tirar as suas próprias conclusões, pois as percepções de música são particulares, afinal o que pode ser ruim para alguns, pode ser muito bom e proveitoso para outros. Mas será que somos influenciáveis? O que quero dizer com isso? Será que, quando amamos uma banda e, claro, sua sonoridade, quaisquer comentários e análises podem vir carregadas de fanatismo, pela cegueira desmedida de “fã”.

Mas não quero aqui levantar, o tempo todo, conjecturas, e deixar o meu depoimento textual de álbum que ouvi, há algum tempo, que fez com que eu revisse os meus conceitos em relação a esses álbuns.

Falo do segundo álbum da banda italiana ALPHATAURUS chamado “Dietro L’Uragano”, lançado há trinta anos atrás, em 1992. Conheci, como outras pessoas, o Alphataurus pelo seu estupendo debut, de nome “Alphataurus’, de 1973 que, apesar de não ter tido aquela visibilidade à época, atualmente está em um status de grande importância para a cena progressiva italiana e que serve, sem dúvida de referência para muitas bandas novas que surgem fortemente na Itália, sobretudo nos últimos 20 anos.

“Dietro L’Uragano” foram esboços, alguns diriam “sobras” deste álbum de 1973 e que seriam usados para o novo trabalho da banda que seria lançado naquela época, ou ainda composições que estavam sendo empreendidas mas que, por algum motivo deixou de ser, essa última é a história mais difundida na história obscura dessa grande banda que merecia, à época, mais credibilidade pelo que produziu.

Esse que vos fala, ou melhor, escreve, é um amante do Alphataurus e que, quando conheci seu debut foi como que uma nova janela de perspectivas sonoras se abrindo diante dos meus olhos, abrandando o meu coração e deleitando os meus ouvidos. E quando ouvi “Dietro L’Uragano, afinal, nada mais natural, quando conhece uma banda e aprecia, você busca mais materiais desta para se aventurar em sua sonoridade, foi igualmente arrebatador.

Mas antes de mergulhar fundo em “Dietro L’Uragano” falemos um pouco da história da banda. O Alphataurus Surgiu na cidade de Milão, em 1970, e foi tida como uma das bandas obscuras que povoa a cena progressiva italiana nos anos 1970.

Apesar de atingir essa condição de banda desconhecida conseguiu um contrato com uma nova gravadora chamada “Magma” e lançou seu primeiro grande álbum, “Alphataurus”, em 1973. Provavelmente o conseguiu tal contrato por não ser conhecida e, como o selo era novo, estava investindo em bandas novas e desconhecidas.

O fato é que “Alphataurus” não conseguiu atingir o êxito comercial esperado apesar de apresentar todas as características típicas do rock progressivo italiano: camadas fantásticas de teclado, vocais dramáticos e bem elaborados, cantados em italiano, claro, uma mistura excepcional de seções leves e pesadas, com viradas instrumentais de tirar o fôlego, até levadas blueseiras e jazzísticas.

A formação da banda neste álbum tinha Michele Bavaro, nos vocais, Guido Wasserman na guitarra, Pietro Pellegrini no piano, hammond, vibrafone, moog, Alfonso Oliva no baixo e Giorgio Santandrea na bateria.

Reza a lenda que, quando eles estavam se preparando para gravar o segundo álbum, que não tinha nome, ainda em 1973, onde Iniciara os trabalhos de composição, de produção do mesmo, ocorre algum infortúnio que ninguém sabe ao certo, a banda se separa, some da cena progressiva da Itália sem deixar rastros. Os vocais não foram gravados, não foram inseridos nestas composições e tudo indica que o vocalista abandonou a banda ou não teve tempo para gravar a sua parte. Tudo que girou em torno desse “esboço” foi em uma aura de mistérios e incertezas.

O projeto ficou inacabado, não foi concluído. Foi esquecido. A banda finalizou as suas atividades, precocemente. Os músicos seguiram, cada um, as suas carreiras individualmente. O baterista Giorgio Santandrea esteve por um breve período na banda Crystals, enquanto que o tecladista Pietro Pellegrini colaborou, entre outros, com Riccardo Zappa e Premiata Forneria Marconi.

O vocalista Michele Bavaro gravou um disco solo, de viés comercial, no fim dos anos 1970, inclusive esse trabalho teve o foco de exportar a música italiana para o mercado sul americano, tendo visitado o Brasil, inclusive e cantado em algumas cidades, como Cuiabá e Belo Horizonte.

Em 1992, a gravadora Mellow descobriu esse material esquecido, perdido e o lançou, quase dez anos depois do lançamento de “Aphataurus” com o nome “Dietro L’Uragano” e digo, com toda a força de minha alma e coração, de que este álbum, embora tenha uma carga de críticas não muito boas, traz a força e a proposta sonora do Alphataurus, sobretudo impressa no seu primeiro álbum.

As faixas bem elaboradas, com uma “nitidez” absurda que expõe todas as características do rock progressivo italiano: peso, personalidade, alto teor de dramaticidade, com viés sinfônico, com ênfase nos teclados, em solos viajantes de guitarra e uma “cozinha” bem sinérgica e definida.

O álbum traz a seguinte formação: Guido Wasserman na guitarra, Pietro Pellegrini, nos teclados, Alfonso Olive no baixo e Giorgio Santandrea na bateria e vocal.

Então dissequemos, faixa a faixa, esse belo trabalho sim, do Alphataurus e se preparem para a viagem sem passagem de volta, pois sem dúvida trata-se de um trabalho excepcional da banda, mesmo que incompleto, sem vocal.

O álbum é inaugurado logo com uma pedrada, com um arrasa quarteirão: “Ripensando E...”. O trabalho do moog, das teclas emociona, é contemplativa, te tira do chão, faz flutuar. A bateria entra, marcada, seguindo o ritmo viajante, o progressivo italiano se faz presente, é a personificação timbrada nesta música. Pode ser sentida a ausência do vocal, podemos, sem sombra de dúvida, encará-la como um clássico instrumental, a beleza dos instrumentos é inquestionável.

A “situação” não muda com a faixa seguinte: “Valigie Di Terra”. A introdução agora fica a cargo da bateria, em um estágio meio experimental, entrando e mantendo tal atmosfera os teclados e, gradativamente, vai ganhando substância, corpo, peso, se tornando mais solar, animada, as viradas rítmicas ganhando protagonismo. Outra música digna de reverências.

Na sequência tem a curta “Idea Imcompiuta” que se destaca, em uma espécie de introdução, os teclados, com a participação da bateria dando uma textura jazzística, mostrando o Aphataurus tal perícia desde os seus primórdios.

E fecha com a excelente “Claudette” que começa lindamente com um piano que depois nos conduz a uma seção estupenda de inspirações sinfônicas avassaladoras e nesse emaranhado de fragmentos sinfônicos tem no fundo um baixo forte, pulsante e vivaz marcando plenamente essa faixa com uma riqueza instrumental invejável. É simplesmente de tirar o fôlego, tantas viradas, tantas percepções sonoras em uma única faixa. Mas na metade da faixa finalmente surge um vocal, a voz do baterista Giorgio Santandrea, discreto, sem tanta potência.

De fato “Dietro L’Uragano” pode ter sido conhecido como o “projeto inacabado”, sem dúvida, mas com a sensibilidade e a competência de músicos que afloram de forma singular. Há de se deleitar com os instrumentos, a viagem instrumental é garantida e por mais que seja sentida a ausência de um vocal conduzindo todos esses soberbos instrumentos, sobretudo depois de um álbum anterior com um vocal marcante, podemos encarar esse trabalho como uma exibição, sim, instrumental e de grande inspiração.

Em 2010, três dos componentes originais (Pellegrini, Wassermann, Santandrea) reformaram a banda para participar do Progvention de Mezzago, um festival conhecido na Itália. A formação, que inclui o cantor Claudio Falcone, o tecladista Andrea Guizzetti e o baixista Fabio Rigamonti, permaneceu também para alguns shows em 2011. E em 2012 finalmente é lançado um álbum de inéditas chamado “AttosecondO”, com a inclusão do baterista Alessandro "Pacho" Rossi e em 2022, após esse período pandêmico, a banda retorna com nova formação e fazendo shows pela Itália. Mas isso é outra história.

A banda:

Guido Wasserman na guitarra

Pietro Pellegrini nos teclados

Alfonso Oliva no baixo

Giorgio Santandrea na bateria e vocal

Claudio Falcone vocais

Faixas:

1 - Ripensando E....

2 - Valigie Di Terra

3 - Idea Imcompiuta

4 - Claudette






























FONTE: 

https://deluzrockobscuro.blogspot.com/2022/05/alphataurus-dietro-l-uragano-1992.html?fbclid=IwAR1WXcp1FaPklGv6W7msCW9BhEnZkibe2og29PKUwEfwkm66ZjHvrJrbvQc

https://tuliofuzato.blogspot.com/2016/03/alphataurus.html

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Argus (o disco)

Resenha de Marcio Abbes

"Argus" (da Banda Wishbone-ash) é um disco brilhante! Isso ninguém duvida dentro do mundo do rock.

A banda tem uma discografia extensa. 
Apesar de não conhecê-la toda, dificilmente outro disco da banda é capaz de alcançar o nível de musicalidade apresentado no magnífico "Argus". 

O disco traz 7 faixas poderosas e que colocaram a banda em outro patamar na sua carreira musical. 

O disco começa com o violão e o coro em "This Was", apenas um lindo arranjo para começar a detonar a sonoridade pesada que mescla hard, progressivo e blues-rock, talvez a banda nunca tenha estado tão perto do hard progressivo como no belíssimo disco, além da convicção de que a banda apresentou a bela sonoridade das guitarra gêmeas adotadas por grandes bandas. 

Uma maravilha de audição para quem é amante de rock de extrema qualidade. Entra a segunda música, "Sometime World", que já aponta a linda estrutura da banda em compor para o álbum. A música começa novamente lenta, como uma balada fosse, e se transforma num belo rock com um instrumental grandioso, através do qual o Martin Turner vem arregaçando uma levada no baixo e o Andy Powell faz um dos solos de guitarra mais avassaladores do rock. Extrema conexão de notas em favor da genialidade musical. 

O disco já poderia parar na segunda música. Jogo ganho. 
Porém, é apenas o começo de um grande clássico do rock. "Blowin' Free" entra para selar que só se pode esperar o melhor pela frente. 
Mais um petardo para os meus ouvidos.

A próxima música é um dos mais belos trabalhos realizados no rock. "The King Will Come" é puxada por um rufo de bateria para trazer uma linda melodia conduzida por uma belíssima vocalização e um fantástico solo de guitarra com efeito de wah wah. Mais uma música linda e excepcional. 

Fico esperando se o time vai cometer apenas algum erro, mas acho bem improvável. "Leaf and Stream" traz a música da banda voltada para o folk, num lindo arranjo de cordas.

A música "Warrior" vem com toda a fúria de um soldado para mostrar o Wishbone Ash mais pesado com o pé, ou melhor, a lança fincada quase no Metal. 
A guitarras gêmeas só dão brilho na música. 
Os vocais quase num chamado de guerra me deixa completamente chapado. Isso me faz perceber o porquê da minha paixão pelo rock. 
O discaço chega ao fim com a "Throw Down the Sword", que fecha a estupendo trabalho com uma linda canção bem apropriada para terminar um dos maiores discos da história do rock.

O produtor da peróla é o competente Martin Birch. E o Martin Turner realizou as letras. Não é à toa que a revista Melody Maker considerou o "Argus" como o melhor álbum inglês em 1972. 
A capa é linda! Simplesmente genial e obrigatório! 

aqui o disco na íntegra!



quinta-feira, 23 de julho de 2015

Plano Sequência


De: Eduardo Aguillar 
Plano Seqüência, uma viajem ao bom Prog-Brazileiro
Todos os Temas instrumentais foram compostos arranjados, produzidos e excutados pelo multi-instrumentista meu brother di longa data o Sr. Aguillar.

FAIXAS:

1 - Coliseo - 7:04
2 - Perto do Fim - 5:07
3 - Plano Sequencia - (no AURÉLIO Seqüência) - 8:08
4 - Um Pedaço do Tempo - 3:39
5 - Antigos Caminhos - 6:16

Fotos: Renato Neto
Capa: Bernard Designer
Masterização: Renato Pereira
Realização: AG Produções - Lab. Pedra Branca 2015
Plano Sequencia foi originalmente concebido em 1992

ALTAMENTE RECOMENDADO -----

RESENHA: Tulio Fuzato

"Dudú" - recebí hoje o CD Plano Sequência.

Já começo agradecendo o envio!
Feliz pela honra de ter um exemplar de sua obra AUTORAL, logo eu que fui guitarrista nas tardes dos DISCÍPULOS do SOL nossa primeira Banda di PROG; quando tínhamos naqueles tempos idos nossos 20  / 22 anos.

Hoje eu pude ouvir com calma e me deliciar com um trabalho maduro, terminado, não definitivo porque te conheço e vc vai me dizer que a Música é infinta.

CONCORDO!!!

É certo que vc tem produzido muitas coisas, mas este disco remonta um pouco sua definitiva influência de Prog. algumas coisas lembram Alan Parsons, Jean Luc, Vangelis, Triunvirat, Mike Oldfield; tudo numa levada muito singela com passagens altamente viajantes num metrônomo calmo e bem colocado.

Texturas de Teclados bem escolhidas e tudo bem sutil; com boas "pitadas" sem exageros ou apelações! 

Algumas coisas remontam clímax cinematográfico ou de época.

Enfim um disco bem produzido e que certamente poderá representar o nosso Brasil varonil Lá fora sem medo de indicar.

Reitero poraquí os meu votos de respeito e sucesso pela realização deste disco e que algum dia eu possa ter a honra de arranjar ou re-arranjar alguns de seus Temas comigo na batera e pilotando os Synths também.

Grande abraço: Tulio

ACESSE: