O diretor do Sistema Globo de Rádio chamou o Big Boy e disse: "temos uma semana para colocar uma rádio no ar na frequência de 98,1 MHZ senão perdemos o canal".
Big Boy topou. Pegou pilhas de LPs importados com a nata do progressivo, hard e similares, chamou Mario Henrique Peixinho, gravaram vinhetas e fizeram a programação virando noites.
"A gente põe a locução depois", Big Boy disse, o que acabou não fazendo. A Eldo Pop funcionava sozinha num gigantesco computador semi analógico que funcionava no Sumaré. Na época uma sensação, mas uma sensação que só dava problemas. Quando a Eldo pop saia do ar, um técnico tinha que sair da sede na rua do Russel, Glória e subir a montanha.
Rapidamente a Eldo Pop assumiu a liderança na audiência, mas a empresa nunca se esforçou em arranjar anunciantes, investir em marketing, dando a impressão que era um tapa buraco.
Tanto que Big Boy morreu em março de 1977 e menos de um ano depois tiraram a Eldo Pop do ar. Virou Rádio 98. Em meados dos anos 1980 quando comecei a trabalhar o projeto da Globo FM, Peixinho me mostrou a discoteca da Eldo Pop bem guardada em um armário. Foi muito emocionante olhar e tocar naqueles discos.
Onde deve ter ido parar aquela preciosidade? Na foto, Big Boy na discoteca da Rádio Mundial.
Resenha de Marcio Abbes "Argus" (da Banda Wishbone-ash) é um disco brilhante! Isso ninguém duvida dentro do mundo do rock.
A banda tem uma discografia extensa.
Apesar de não conhecê-la toda, dificilmente outro disco da banda é capaz de alcançar o nível de musicalidade apresentado no magnífico "Argus".
O disco traz 7 faixas poderosas e que colocaram a banda em outro patamar na sua carreira musical.
O disco começa com o violão e o coro em "This Was", apenas um lindo arranjo para começar a detonar a sonoridade pesada que mescla hard, progressivo e blues-rock, talvez a banda nunca tenha estado tão perto do hard progressivo como no belíssimo disco, além da convicção de que a banda apresentou a bela sonoridade das guitarra gêmeas adotadas por grandes bandas.
Uma maravilha de audição para quem é amante de rock de extrema qualidade. Entra a segunda música, "Sometime World", que já aponta a linda estrutura da banda em compor para o álbum. A música começa novamente lenta, como uma balada fosse, e se transforma num belo rock com um instrumental grandioso, através do qual o Martin Turner vem arregaçando uma levada no baixo e o Andy Powell faz um dos solos de guitarra mais avassaladores do rock. Extrema conexão de notas em favor da genialidade musical.
O disco já poderia parar na segunda música. Jogo ganho.
Porém, é apenas o começo de um grande clássico do rock. "Blowin' Free" entra para selar que só se pode esperar o melhor pela frente.
Mais um petardo para os meus ouvidos.
A próxima música é um dos mais belos trabalhos realizados no rock. "The King Will Come" é puxada por um rufo de bateria para trazer uma linda melodia conduzida por uma belíssima vocalização e um fantástico solo de guitarra com efeito de wah wah. Mais uma música linda e excepcional.
Fico esperando se o time vai cometer apenas algum erro, mas acho bem improvável. "Leaf and Stream" traz a música da banda voltada para o folk, num lindo arranjo de cordas.
A música "Warrior" vem com toda a fúria de um soldado para mostrar o Wishbone Ash mais pesado com o pé, ou melhor, a lança fincada quase no Metal.
A guitarras gêmeas só dão brilho na música.
Os vocais quase num chamado de guerra me deixa completamente chapado. Isso me faz perceber o porquê da minha paixão pelo rock.
O discaço chega ao fim com a "Throw Down the Sword", que fecha a estupendo trabalho com uma linda canção bem apropriada para terminar um dos maiores discos da história do rock.
O produtor da peróla é o competente Martin Birch. E o Martin Turner realizou as letras. Não é à toa que a revista Melody Maker considerou o "Argus" como o melhor álbum inglês em 1972.
A capa é linda! Simplesmente genial e obrigatório!